November 19, 2019

Adriana Calcanhotto no Porto

Porto, Casa da Música - Porto
Av. da Boavista, 604Porto, Casa da Música

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Adriana Calcanhotto regressa com novo disco de originais - “Margem” - e confirma a sua apresentação ao vivo em Portugal com concertos agendados a 16 de novembro no Tivoli BBVA, em Lisboa, e a 19 de novembro na Casa da Música, no Porto.

“Margem” é o disco que encerra a trilogia dedicada ao mar, que a compositora iniciou com “Maritmo” (1998) e à qual deu continuidade com “Maré” (2008), e a sua edição física e digital está agendada para 7 de junho.

Do muito esperado regresso de Adriana Calcanhotto aos discos de estúdio já se conhecem os temas “Margem”, “Ogunté” e o mais recente “Lá Lá Lá”. 

MARGEM 
Por Adriana Calcanhotto
MARITMO é um disco de mar, o meu quarto álbum, lançado em 1998, e o primeiro que explicita minha paixão pelo mar, como espaço físico e metafísico. Queria um ambiente de mar e de dança, de movimento, de levar e trazer, de ondulação e impermanência, e por isso é que ele chamou-se MARITMO. Uma palavra inventada por mim que reforça que o ritmo do mar é maritimo, trocadilho feito em um ensaio para a gravação e que acabou por batizar o projeto. 
Em março de 2008, dez anos depois, veio MARÉ, meu sétimo álbum, que por ter novamente ambiência oceânica, me fez pensar no mar quando ele volta, quando ele é o "mar mais uma vez", e porque é que volta. O que faz o mar ir e voltar é a maré, e sobre isso pensei muito até constatar que o disco era uma segunda vaga de um projeto maior. Então, no lançamento,  anunciei a trilogia de marinhas. 
Este, MARGEM, que está há vinte e um anos de distância do primeiro e onze do segundo, e cuja sequencia ele encerra, começou a ser concebido logo depois do lançamento do MARÉ, o segundo. Por inércia. Pelo fato de ter ouvido, cogitado e cantado tantas canções que acabaram não entrando nem no álbum e nem depois nos shows da turnê de lançamento, canções que não entraram nos projetos mas não saíram de mim, que de alguma maneira foram ficando como possibilidades para o terceiro. O terceiro confunde-se um pouco com o segundo nesse sentido. 
Os oceanos não são mais os de vinte anos atrás e essa tragédia estava há muito anunciada. De MARÉ para cá não lancei mais discos de estúdio, registrei algumas apresentações em DVD, no Rio de Janeiro (Olhos de Onda, 2011)  e em Porto Alegre (Loucura, 2015, só com canções de Lupicínio Rodrigues) que eram projetos de palco e acabaram gravados.
Em 2018 fiz shows em Portugal e no Brasil com um espetáculo criado a partir da minha estadia como docente na Universidade de Coimbra. A Mulher do Pau Brasil  foi um repertório de canções ligadas às ideias da Poesia Pau Brasil, de Oswald de Andrade e de sua turma de enormes artistas e colaboradores, movimento que sempre me influenciou de forma muito profunda, desde a adolescência. 
Durante a residência coimbrã assim como muito antes, em Porto Alegre, no ano de 1998, quando estreei um primeiro show chamado A Mulher do Pau Brasil, com o mesmo tipo de inspiração, a ideia foi lidar com a identidade artística e cultural do Brasil a partir dos modernistas. De seus ecos e efeitos no tropicalismo e depois, e na importância para o fim das discussões entre alta e baixa cultura. Era pra ser uma apresentação única em Coimbra, como despedida do semestre de 2017, mas  o show acabou por fazer uma tour portuguesa e outra pelo Brasil. Viajei de abril de 2018 a fevereiro de 2019 com meu repertório antropófago e esse foi um espetáculo que adorei fazer.
Paralelas à turnê  brasileira, fizemos, eu, Bem Gil, Bruno Di Lullo e Rafael Rocha, as sessões de gravação do MARGEM. Experiência incrível, a de estar na estrada com Bem e Bruno, viajando com A Mulher do Pau Brasil, tocando, passando som, acordando, voando, almoçando, jantando juntos e chegando ao Rio e nos socando juntos no estúdio, aí com Rafael Rocha. Estúdio esse que é um tipo de quintal para o Bem Gil, estúdio onde o pai dele, entre outros artistas, gravou coisas lindíssimas. 
A minha atitude no estúdio foi mudando ao longo dos anos, eu fui acalmando, aprendendo a ouvir melhor mas minhas primeiras memórias das sessões de gravação são de que aquilo precisa ser muito rápido, definitivo e acabar logo porque tudo é muito caro então vai-se para o estúdio sabendo-se o que se vai fazer, não é lugar para perder tempo pensando. Dessa vez aprendi muito mais ainda com Bem, Bruno e Rafa, que vão ao estúdio para experimentar sons, para microfonar, com toda a calma do mundo, vão ao estúdio fazer o que mais gostam, vão ao estúdio para serem felizes e viram noites tocando por puro prazer. Foram incansáveis e amorosos comigo e isso está impresso no som das faixas, como poderão constatar. Sou muita grata a eles e a todas as pessoas envolvidas na feitura de mais esse trabalho, que encerra em si uma série de ciclos.
MARGEM encerra a trilogia mas não o assunto, que a cada um dos três discos, revelou-se para mim mais e mais urgente. 
Bom mergulho!

Bilhetes: 30 e 35 euros
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Published 24/05/2019

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