December 16, 2021 - 21:30

António Zambujo - voz e violão

Coimbra, Convento de São Francisco - Coimbra
Av. da Guarda Inglesa 1a, 3040-193 CoimbraCoimbra, Convento de São Francisco
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Information

Um dia, num qualquer futuro mais ou menos distante, dir-se-a? que este disco e? um dos mais importantes da carreira de Anto?nio Zambujo. Na?o por se julgarem menores alguns dos a?lbuns que o antecederam e ainda menos pela qualidade de todas as canc?ões que ainda na?o compo?s ou deu voz. Simplesmente porque "Voz e Violão” sera? sempre associado a um tempo que nos provou o quanto somos fra?geis e o quanto precisamos de nos repensar numa urge?ncia do que e? essencial.

O u?ltimo trabalho de Anto?nio Zambujo tem a marca dessa urge?ncia. O que somos, o que de no?s ?ca, se nos libertarmos de toda a carga? O que somos, o que de no?s ?ca, se procurarmos o despojamento e o sentido do que nos move, do que e? importante e menos importante, da procura do que nos faz u?nicos, mas ainda assim parte de um todo?

"Voz e Viola?o” e? tudo isso. Representa um sentimento de pertenc?a ao pai?s que continua a ser a sua casa de partida, mas tambe?m de viagem, de descoberta, inevitavelmente de encontro com outras li?nguas, culturas, pessoas. As suas canções unem mundos e tornam possi?vel um conci?lio entre o que antes parecia impossi?vel de conciliar. Zambujo faz do que canta uma marca do que foi o seu caminho: das plani?cies alentejanas que o moldaram ao cosmopolitismo que solidamente construiu esta? tambe?m o antivi?rus para o que este tempo trouxe de lodo, de ressentimento, de medo do que e? diferente, de xenofobia, de radicalismo.

A mu?sica de Anto?nio Zambujo e? tudo isso.

E apenas com o seu viola?o, despojado de mais vida, oferece-nos um grito silencioso feito de palavras que nos obrigam a ser gente, que nos obrigam a na?o desistir de acreditar que atra?s das nossas portas fechadas continua a existir mundo, continuam a existir pessoas que podemos amar, continua a existir memo?ria, falha, convicc?ão e novas ideias.

Anto?nio Zambujo na?o precisa de ser adjetivado. Ele diz as palavras como se elas lhe pertencessem por inteiro. Como se mais ningue?m as tivesse dito antes. Quando ele canta "amor” e? uma sinfonia que lhe sai da boca, e? como aqueles cozinhados da infa?ncia em que o sabor nunca nos sai do paladar mesmo que dele na?o nos lembremos. Ouvi-lo neste seu u?ltimo disco apazigua-nos sem nos adormecer. Na?o é um apaziguamento que nos livra da inquietude e ainda menos um mar calmo que nos condena a? alegria ou a bacocas promessas de felicidade. Neste disco – e em todos os a?lbuns de Zambujo – na?o se sai da mesma maneira. Que melhor definição de arte podemos encontrar do que essa? Sobretudo numa altura em que na mu?sica, na literatura ou no cinema o que e? lido, visto e ouvido tem a marca da previsibilidade, da ause?ncia de surpresa, do divertimento sem mais.

A sua voz e? um passaporte, uma chave-mestra, um ponto de encontro. Ouvimos o cisma e o cante alentejano, ouvimos o fado e a MPB, ouvimos mornas e somos testemunhas do milagre de transformar o que canta numa nova pertenc?a. Interpreta Nat King Cole sem nunca perder a esse?ncia do que e? ou defraudar o espi?rito dos que combateram sempre, como Cole, todas as formas de racismo. Anto?nio  Zambujo incorpora o que lhe e? diferente sem nunca deixar de ser ele, quase como se tivesse o poder, a magia, de conseguir tornar todos os estilos de mu?sica num u?nico, o seu.

"Voz e Viola?o” sucede ao aclamado "Do Avesso”.


Ficha Artística/Técnica

Voz e guitarra: António Zambujo

Técnico de som: Hélder Nélson

Técnico de iluminação: Miguel Ramos

Assistente de produção & técnica: Nuno Amaro

Road manager: Mariana Silva 

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Published 11/11/2021

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