Museu do Holocasto no Porto

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- O primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica é inaugurado dia 20 no Porto 

- Tutelado por membros da comunidade judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto

O Museu do Holocausto do Porto (https://youtu.be/eg2mio5GbAA) foi criado pela Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP) e retrata a vida judaica antes do Holocausto, o Nazismo, a expansão nazi na Europa, os Guetos, os refugiados, os campos de Concentração, de Trabalho e de Extermínio, a Solução Final, as Marchas da Morte, a Libertação, a População Judaica no Pós-Guerra, a Fundação do Estado de Israel, Vencer ou morrer de fome, Os Justos entre as Nações.

Neste novo Museu os visitantes terão oportunidade de visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz, assim como uma sala de nomes, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa e, à imagem do Museu de Washington, fotografias e ecrãs exibindo filmes reais sobre o antes, o durante e o depois da tragédia.

A inauguração está marcada para dia 20 deste mês, com uma cerimónia mais reservada e sentimental, liderada por Dias Ben Zion, Presidente da Comunidade Judaica do Porto, e Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, que contará com a presença dos embaixadores das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial e de Israel, assim como de Karel Fracapane (especialista do programa do Holocausto da UNESCO), do Embaixador Luíz Barreiros (Chefe da Delegação de Portugal à IHRA - Aliança Internacional Memória do Holocausto), de Marta Santos País (Comissária do Projeto Nunca Esquecer - Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto), do Bispo do Porto e do Presidente da Comunidade Muçulmana da cidade. O Governo far-se-á representar pelo Secretário de Estado da Cultura. 

Antevendo regras legais mais apertadas em termos de saúde pública, a CIP/CJP já requereu autorização à Direção Geral de Saúde para a realização deste evento, em ambiente controlado, com um total de trinta pessoas, tendo em conta a relevância política do mesmo e a sua curta duração (50 minutos) num espaço de 500 m2 que possui plano de contingência para o Covid-19.

No dia 27 de janeiro, para celebrar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o Museu será visitado por alunos de escolas da região do Porto. “Importa ensinar o Holocausto em Portugal. Na escola, eu e o meu irmão éramos os únicos judeus. O tema nunca era abordado nem ensinado, e poucos sabiam o que tinha sido o Holocausto”, disse Dara Jeffries, do Conselho Fiscal da CIP/CJP.

Tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto, o Museu do Holocausto no Porto desenvolverá parcerias de cooperação com museus do Holocausto em Moscovo, Hong Kong, Estados Unidos e Europa, contribuindo para uma memória que não pode ser apagada. 

Charles Kaufman, Presidente da organização de direitos humanos B'nai B'rith International, sublinha o importante papel do novo Museu: “Este impressionante Museu do Holocausto é um testemunho da herança e resiliência judaicas. Que ele sirva de farol para Portugal e para o resto da Europa”.

O curador do Museu do Holocausto do Porto, o museólogo Hugo Vaz, afirma que "São esperados cerca de 10 mil alunos por ano, o mesmo número que, antes da pandemia, costumava visitar a Sinagoga."

O Museu do Holocausto do Porto investe no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições, encorajando e apoiando a investigação. Através do Museu, o membro da comunidade Jonathan Lackman deseja seguir, no Porto, o papel que os avós tiveram nos EUA para a preservação da memória do Holocausto: “O meu avô fugiu de Treblinka e a minha avó foi resgatada com tifo do campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, onde faleceu Anne Frank. Contarei sempre a história deles.”

“A construção do Museu do Holocausto no Porto contou com um donativo substancial de uma família sefardita portuguesa do Sudeste da Ásia que foi vítima de um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial” revela o tesoureiro da CIP/CJP Michael Rothwell, ele próprio descendente de vítimas do Holocausto. "Os meus avós eram bons patriotas alemães – os meus tios-avós deram mesmo a vida pela Pátria na Primeira Guerra Mundial – e amavam um país que também era deles. Com o nazismo, viram-se acusados de estrangeiros indesejados, foram transportados como gado para Auschwitz, separados um do outro, alvos de todas as violências e ali morreram assassinados".

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense. Estes arquivos, agora regressados à cidade Invicta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. No Museu estão ainda expostos dois Sifrei Torá (rolos da Torá) oferecidos à sinagoga do Porto por refugiados que estiveram chegaram à cidade com as suas vidas desfeitas.

DEPOIMENTOS /DECLARAÇÕES 

“O Holocausto deve ser contado pelas vítimas. A minha mãe chegou órfã à Argentina e o meu pai foi obrigado a tocar violino no campo de propaganda de Theresienstadt. Nasci sem avós. Todos foram executados na Polónia, depois de raspagem do cabelo, tatuagens de números nos braços e trabalho escravo” afirma Deborah Elijah, da Direção da CIP/CJP. 

“A história da minha família terminou, para uns, nos campos de extermínio, e outros foram vítimas de pelotões de fuzilamento depois de terem sido obrigados a abrir uma vala comum” descreveu Luísa Finkelstein, descendente de uma família polaca, a mais antiga associada da Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP). 

“Alguns membros da Comunidade foram diversas vezes buscar refugiados aos Pirenéus e trouxeram-nos para a segurança do Porto. O meu avô, capitão Barros Basto, convidava muitos refugiados para almoçar e jantar. Ele dizia à minha avó: 'cabe sempre mais um!'” conta Isabel Lopes, Vice-Presidente da CIP/CJP. 

Eta Rabinowicz Pressman, antiga associada da comunidade do Porto, residente em Londres, conta: "Os irmãos e irmã da minha mãe foram mortos, eles e os filhos. Num dos casos, o porteiro do prédio queria salvar os filhos, mas eles recusaram, quiseram ir com os pais e morreram também. O único irmão que sobreviveu era prisioneiro dos soviéticos num gulag na Sibéria."

PORQUÊ UM MUSEU DO HOLOCAUSTO NO PORTO? 

- O projecto governamental “Nunca Esquecer” em torno da memória do Holocausto, conta com contributos da sociedade civil, e muitos membros da comunidade judaica do Porto são vítimas do Holocausto, dado que o foram diretamente os seus pais, avós e familiares.

- Importa honrar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto de que Portugal é membro e partilhar com a sociedade em geral os documentos e os objectos deixados pelos refugiados na sinagoga do Porto, durante a Segunda Guerra mundial.

- O Conselho da Europa exortou os países-membros a combater o antissemitismo, e o novo Museu vai integrar-se na estratégia da CIP/CJP, que todos os anos promove cursos para professores no Museu Judaico do Porto e visitas para escolas na sinagoga Kadoorie e que realizou já quatro filmes de história no âmbito de um projecto inter-religioso com a Diocese do Porto.

Sobre a Comunidade Judaica do Porto

http://jewishcommunityofoporto.blogspot.com

A Sinagoga Kadoorie Mekor Haim é a maior da Península Ibérica e a Comunidade Judaica do Porto tem cerca de 500 membros, de mais de 30 países. Possui o Museu do Holocausto e o Museu Judaico, um cinema e parcerias de cooperação com o Estado Português, a Embaixada de Israel em Portugal, a B´nai B´rith International, a Anti Difamation League, a Keren Hayesod, a Chabad Lubavitch, bem como com a Diocese do Porto e a Centro Cultural Islâmico do Porto. 

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Published 12/01/2021

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