FLOTUS pode ser uma surpresa, sim, mas não absoluta, especialmente para aqueles que procuram colecionar todos os pedaços da história. Sobretudo, quando em 2015, três dos elementos dos Lambchop nos presentearam com The Diet, um disco com veias eletrónicas que voou abaixo do radar. Contudo, há que admitir: é uma surpresa e é arrebatadora, como se um edifício de mais de uma dezena de pisos, feitos pacientemente ao longo de mais de duas décadas, explodisse em pequenos fragmentos que novamente aglutinados constroem algo novo e encantador. Nestas tais duas décadas, os Lambchop foram mapeando uma carreira imaculada, na qual nenhuma obra desmereceu a fama que foram entretanto conquistando, materializada pelo epíteto de “instituição musical norte-americana” que tanto se repete. Mas é daqui que verdadeiramente nasce FLOTUS, quatro anos depois do lamento a Vic Chesnutt, como se da dor nascesse uma eletrónica tão inteligente e desafiante que julgaríamos que sempre esteve por lá. Uma surpresa e seguramente um milagre, pois FLOTUS, entre a herança da eletrónica alemã e as produções de Brian Eno, é um dos melhores discos de Lambchop e uma nova e excitante vida para a pop pastoral e reconfortante de Kurt Wagner. Apesar de o piano ser uma figura central para este concerto, este é um ponto de mudança que se torna imperioso testemunhar.

Preço: 14 euros