Ruínas do Castelo de Moura

Moura

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Descrição

No ponto alto da cidade de Moura encontra-se o que ainda resta do castelo do século XIII, cuja origem terá sido um castro construído na Idade do Ferro, sucessivamente ocupado pelos Romanos, pelos Visigodos e pelos Muçulmanos.
Nesta época terá sofrido reconstruções em taipa, desde meados do século XI ao início do século XII, da qual nos chegaram alguns vestígios, como a chamada Torre da Salúquia.
Após a reconquista definitiva que data de 1232, D. Dinis ordenou a reconstrução do Castelo sobre as ruínas do antigo, datando dessa campanha de obras a construção da Torre de Menagem.
Na segunda metade do século XIV, sob o reinado de D. Fernando, iniciou-se uma segunda cerca amuralhada, envolvendo os novos limites da povoação, então já aumentados.
No reinado de D. Manuel I algumas obras de modernização tiveram lugar, assinadas pelo célebre Francisco de Arruda.
No século XVI foi edificado o Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção integrando a Igreja de Santa Maria, construída sobre a antiga Mesquita, passando de Igreja Matriz a dependência do Mosteiro, que guarda o túmulo manuelino dos irmãos Pedro e Álvaro Rodrigues, presumíveis conquistadores de Moura.
Pela altura da Guerra da Restauração, determinou-se a modernização e reforço da antiga fortificação, dada a sua posição estratégica na fronteira com a Espanha, erguendo-se uma linha abaluartada, envolvente da povoação, sendo igualmente deste período, a construção do designado Edifício dos Quartéis.
Ocupada durante a Guerra de Sucessão da Espanha, fizeram-se explodir as muralhas de Moura (danificando parte da Torre da Salúquia), sofrendo posteriormente graves danos com o grande terramoto de 1755.
O Castelo de Moura, incluindo as ruínas do Convento das freiras Dominicanas e Igreja anexa encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público, tendo sofrido obras de restauro, manutenção, valorização paisagística e pesquisas arqueológicas desde os anos 80 do século XX, albergando agora um Museu de Armaria na Torre de Menagem e um Museu de Arqueologia no edifício do Convento.


A Lenda da Moura Salúquia
Conta a lenda que a princesa e governadora da cidade, de nome Salúquia, se apaixonou pelo alcaide de Aroche, Bráfama.
Na véspera do casamento, Bráfama dirigiu-se então com uma comitiva para Moura, desconhecendo, no entanto, que todo o território alentejano a norte e oeste tinha já sido conquistado pelos cristãos.
D. Afonso Henriques, por essa data, encarregara dois fidalgos de conquistar a cidade de Moura. Cientes da comitiva, os dois fidalgos cercaram-na, tendo então Bráfama sido morto e a comitiva vencida.
Então, disfarçando-se com as vestes dos representantes muçulmanos, os fidalgos cristãos dirigiram-se para a cidade.
Salúquia, que aguardava do alto da torre do castelo a chegada do seu noivo, ao avistar aquele grupo de cavaleiros aparentemente islâmicos, ordenou que lhes abrissem as portas da fortificação.
Ao transpor a muralha, os cristãos lançaram-se sobre os defensores da cidade, tomados de surpresa, e conquistaram o castelo.
Salúquia apercebeu-se então do erro que tinha cometido, e lançou-se da torre onde se encontrava.
Comovidos pela história de amor que os sobreviventes islâmicos lhes contaram, os fidalgos teriam renomeado a cidade para “Terra da Moura Salúquia“.
Ainda hoje a uma torre de taipa do Castelo se chama a “Torre de Salúquia“, e a um olival nas proximidades de Moura, onde supostamente teriam sido emboscados Bráfama e a sua comitiva, é chamado “Bráfama de Aroche“.
Mesmo nas armas da cidade figura uma moura morta, com uma torre em segundo plano.

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