Santuário da Peninha

8.3

Neste local podemos observar rochas que constituem o Maciço Magmático de Sintra.
Este maciço gerou-se há cerca de 80 Ma a grandes profundidades, sendo a rocha dominante o granito. Para além do granito encontram-se também outras rochas como por exemplo o sienito que aqui ocorre.
Na Serra de Sintra é possível observar paisagens em que se destacam amontoados caóticos de enormes blocos de rocha arredondados, constituindo o que se designa por “caos de blocos”.
Estas rochas são essencialmente de composição granítica e sienítica, tendo as edificações da Peninha sido construídas no alto de um destes amontoados de rocha sienítica.

O Santuário da Peninha insere-se num conjunto arquitectónico formado pela antiga ermida de São Saturnino (fundada por D. Pêro Pais na época da formação do reino de Portugal e hoje abandonada) e pelo palacete romântico de estilo revivalista, que se assemelha a uma fortificação, construído no ano de 1918.
A actual capela remonta ao século XVII, tendo sido fundada por Frei Pedro da Conceição.
O conjunto de paniéis que reveste o interior da ermida representa cenas da Vida da Virgem, e foi executado por diferentes autores.
Os painéis monumentais do corpo da nave têm vindo a ser atribuídos a Manuel dos Santos.
Também da sua autoria serão os dois painéis que ladeiam a porta principal e o tímpano semi-circular, este último com a representação do Pentecostes.
A capela-mor, datada de 1690, é revestida por mármores de diversas cores, que se estendem à abóbada de caixotões.
O retábulo, também de embutidos marmóreos finos, é atribuído a João Antunes, por ser muito semelhante a tantos outros traçados pelo arquitecto de D. Pedro II.

Lenda da Peninha
 
Conta-se que no reinado de D. João III, na terra de Almoínhos-Velhos, havia uma pastora muda que tinha o costume de levar as suas ovelhas a pastar ao cimo da serra.
Certo dia, uma das suas ovelhas fugiu, deixando a jovem pastorinha desesperada em busca da tal ovelha.
Após longas buscas observou ao longe uma senhora que trazia consigo a sua ovelha.
A pastorinha agradeceu muito da maneira que pode, visto que esta não conseguia falar.
A senhora, aproveitando a ocasião, pediu à pastorinha que lhe desse um pouco de pão. A pastora explicou-lhe, gestualmente, que esse ano tinha sido mau e havia muita fome. A senhora deu-lhe então um conselho:
- Quando chegares a casa chama pela tua mãe e procura pão.
A pastorinha tentou-lhe explicar que isso era impossível, pois para além de ter a certeza de não haver pão em sua casa, ela não podia chamar pela sua mãe, pois era muda. Mas a senhora tanto insistiu que a pastora decidiu fazer o que esta lhe dizia.
Ao chegar a casa chamou por sua mãe e a sua voz fez-se ouvir em toda a sua casa.
Contou a história a sua mãe e apressou-se em procurar o pão. E qual não foi o espanto das duas quando dentro de uma arca encontraram pão que chegou para a aldeia inteira.
No dia seguinte, como prova de agradecimento, toda a aldeia subiu à serra e precisamente no sítio onde a pastorinha tinha encontrado a senhora, estava agora uma gruta com a imagem de Nossa Senhora.
Esse local passou a ser sagrado e mais tarde foi aí construída uma capela, conhecida por capela de Nossa Senhora da Peninha.

Classificado no IIP como Imóvel de Interesse Público em 1977

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