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“O Diabo em Mim”, ou quando anúncios de feiticeiros desviam um dramaturgo para o mundo da cartomancia…

Teatro do Bolhão - Porto - Matosinhos
R. Formosa 342 346, 4000-253 PortoTeatro do Bolhão - Porto Phone: 222 006 144
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Posted by 21/10/2026 msimpacto

Nova produção do coletivo portuense Visões Úteis sublima a entrada do autor num mundo de encantamentos e, através da casualidade do Tarot e afins, explora a experiência através da fenda de emoções que vai do desejo ao medo. Coproduzida com o Teatro Municipal de Vila Real, estreia no Teatro do Bolhão (Porto) em novembro

Tudo começou com uma coleção de anúncios de feiticeiros (sim, daqueles que se costuma encontrar nos limpa para-brisas dos carros). Que, perante o fascínio do autor, derivou depois para um curso de Tarot ministrado por dois ex-professores universitários. O resultado da síntese artística que se lhe seguiu, esse, vai ser possível apreciar já em novembro, no Teatro do Bolhão, no Porto, sob o sugestivo título “O Diabo em mim”. Um espetáculo a solo do dramaturgo Carlos Costa, diretor artístico do coletivo portuense Visões Úteis.

A nova criação da companhia saiu do olhar singular do também escritor sobre as simples circunstâncias da vida. O qual, para o caso em apreço, partiu das palavras, transformadas em promessas, de um qualquer Professor Bacari ou de um Mestre Mafu, sobre as “performances voltadas para o futuro e, mais ainda, empenhadas na transformação” de vidas. Claro está, com a página em branco de um “amanhã sempre aberto a possíveis reescritas, com amor, saúde, dinheiro - tudo no horizonte”.

Foi, portanto, precisamente desta generosa coleção de cromos esotéricos que nasceu a inspiração. Anos depois. E o que é que poderemos ver em cena, n’O Diabo em mim? A peculiar visão de Carlos Costa sobre “práticas propiciatórias, (in)realidades capazes de operar num interstício entre desejo e medo”. Pois… lá está o jeito do criador para aquilo que mais ama: as palavras que abrem mundos, sim. Ou seja, e permanecendo na afirmativa, “sim, vamos ler cartas!”. Uma “absoluta incongruência agora que a Inteligência Artificial está ao nosso alcance”. E mais? “Mais poesia do que senso comum”…

O Tarot de Marselha, as Cartas de Jogar e o Oráculo de Lenormand - os três módulos frequentados pelo responsável do Visões Úteis nos cursos da Aradia Academy (de Camelia Elias e Bent Sorensen, professores universitários que abandonaram a carreira académica para se dedicarem exclusivamente à cartomancia) - ajudaram à festa, digamos assim.

Na sinopse que faz a arqueologia do contexto da criação e produção d’O Diabo em mim, Carlos Costa remete-nos para a estreia da peça “Versão Beta” (2021) - um solo em que mergulhava no passado -, e para o novelo com três linhas da sua própria biografia: a) a sua primeira cassete vídeo; b) a leitura de uma obra de Marcel Proust; c) e um improvável espetáculo com uma estreia prevista para 2038…

Tudo foi depois sublimado em cinco meses de trabalho intenso. Período durante o qual o aprendiz – “não de feiticeiro, mas de cartomante” – diz que experimentou um “profundo desvio cognitivo”, convencendo-se a determinada altura que, “formatado pelo século anterior, talvez não pensasse bem”, ou, então, não fosse “capaz de mais do que pensar”.

“O Diabo em mim” é, assim, a nova etapa que permite seguir em frente. Sem medos, mas sem deixar de, aqui e acolá, olhar para trás e para os lados. Não vá… o diabo tecê-las.

“O Diabo em mim”

Agenda:

27 de novembro (sexta-feira), às 19h00

28 de novembro (sábado), às 21h00

29 de novembro (domingo), às 16h00

Sempre no Teatro do Bolhão

Ficha artística e técnica:

Direção, texto, interpretação - Carlos Costa; cenografia, figurino e adereços - Maria Manada; desenho de luz - Pedro Correia; design gráfico e registo audiovisual - Sara Allen; banda sonora e desenho de som - Vasco Zentzua; coordenação de produção - Cláudia Alfaiate; produção executiva - Margarida Barreiros Feijó; parceria - Teatro do Bolhão; produção - Visões Úteis, em coprodução com o Teatro Municipal de Vila Real; agradecimentos – Ana Vitorino, Bent Sorensen, Camelia Elias,Inês de Carvalho, Joana Ferrajão, Luís Mestre e Mafalda Banquart; classificação etária – maiores de 12 anos de idade; duração aproximada – 60 minutos

Sobre o Visões Úteis:

O Visões Úteis é um projeto artístico sediado no Porto, onde foi fundado em 1994. O teatro foi a raiz de uma atividade constante e intensa que rapidamente se alargou a outras áreas das artes performativas. O coletivo recebeu em 2001 a Medalha de Ouro de Mérito Cultural da Cidade do Porto. O raio de ação do grupo estende-se a uma panóplia de projetos, paralelos à criação e itinerância de espetáculos, que desde sempre traduziram o desejo de confronto com outras áreas e com públicos distantes da produção artística.


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