Cristina Branco volta a revisitar a obra de José Afonso acompanhada pelos cúmplices musicais de sempre: Ao piano, Ricardo Dias imprime a sua assinatura lírica e incisiva; Bernardo Moreira assegura, no contrabaixo, uma base rítmica e harmónica de refinada consistência; Alexandre Frazão revela na bateria toda a sua versatilidade e sensibilidade rítmica; e Mário Delgado, na guitarra elétrica, acrescenta um universo sonoro singular que cruza tradição e vanguarda. A este coletivo junta-se ainda o talento promissor de Tomás Marques, no saxofone.
… “sou como o sossego, sei esperar”.
«Bastaria esta frase para resumir tudo nesta música. Existem duas possíveis leituras. A primeira, e mais óbvia, a da história do pai que espera anos a fio pelo momento de vingar a morte da filha; a segunda, que fala do tempo que demora a amadurecer um objetivo, um protesto, sem dúvidas, sem medo. Talvez seja isto que o poder mais teme, não o protesto que grita mas aquele que recusa ajoelhar-se sem medo, crente, na certeza do prumo, do amor como bandeira. Trazendo para aqui, para o dia de hoje, o debate sobre o discurso radical e intransigente e de como este entrou a pés juntos no nosso léxico, no discurso de todos os dias de quem parece não ter mais tempo, radical é esta violência cada vez mais tolerada contra quem só procura paz, amor e verdade. Levantemo-nos, porque o belo espreita em todas as esquinas.»
Cristina Branco
O single "Canção da Paciência", já disponível nas plataformas digitais, integrará o alinhamento do espetáculo “Cristina Branco canta José Afonso”, cuja digressão nacional tem como principal destaque o concerto de 17 de dezembro, na Casa da Música no Porto.
Sobre Cristina Branco
Com quase 30 anos de carreira, 18 álbuns editados e inúmeros concertos por todo o mundo, Cristina Branco é uma infatigável embaixadora da cultura e da língua portuguesa. A música tradicional é a sua principal raiz estética, mas a influência do jazz, da literatura e dos músicos com quem partilha o palco, imprimem à sua música um cariz universal e um encanto sublime.
Inicia o seu percurso artístico na Holanda com “Cristina Branco in Holland” (1997), álbum que acaba por se transformar num verdadeiro sucesso naquele país. Nos anos seguintes, o seu nome ressoa por toda a Europa, com datas esgotadas em inúmeras cidades. “Murmúrios” (1998) e “Post-Scriptum” (2000) reforçam este bom momento e Cristina é galardoada com dois Prix Choc pela revista Le Monde de La Musique.
Seguem-se “Abril” (2007), um álbum com versões de canções de José Afonso, “Kronos” (2009) e “Fado Tango” (2011), o icónico décimo álbum de estúdio, que apresenta colaborações com vários autores portugueses de renome e que prenuncia o renascimento artístico que chegaria alguns anos mais tarde com “Menina” (2016). Considerado o Melhor Disco do Ano pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), este é o primeiro capítulo de uma trilogia que inclui “Branco” (2018) e “Eva” (2020). Nestas obras, Cristina Branco reúne colaborações invulgares, que cruzam estilos e géneros, resultando em interpretações únicas e inovadoras do fado.
Em 2022, aos 25 anos de carreira, somou mais de 40 concertos por toda a Europa e lançou “Amoras numa Tarde de Outono”, álbum em colaboração com o pianista João Paulo Esteves da Silva. O mais recente “Mãe”, editado em 2023, é uma criação musical única, na qual Cristina Branco empresta a sua voz singular e expressiva a uma variedade de autores, como tem sido sua tradição artística. Em disco e ao vivo, “Mãe” oferece ao público um repertório original que nos transporta numa envolvente viagem de redescoberta do fado, explorando as suas profundezas emocionais e as suas nuances. "Senhora do Mar Redondo", o single de apresentação, é prova disso mesmo.
Em 2024, dá-se o regresso de “Abril – Cristina Branco canta José Afonso” aos palcos nacionais, num espetáculo envolvente com arranjos e direção musical do pianista Ricardo Dias. Póvoa de Varzim, Vila Real, Covilhã, Grândola, Loulé (Festival MED) e Lisboa (São Luiz Teatro Municipal) foram alguns dos palcos que, no âmbito das celebrações dos 50 anos da Revolução dos Cravos, tiveram o privilégio de acolher esta homenagem ao reportório do cantautor da Liberdade.
Em 2025, o espetáculo foi enriquecido com novas versões e arranjos, mantendo a sua essência, mas oferecendo uma experiência renovada. Os novos singles “Teresa Torga” e “Canção da Paciência” são a mais recente e vibrante expressão deste projeto.