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O fim dos buffets de pequeno-almoço? Hotéis reavaliam tradição em nome da sustentabilidade

publicado 27/08/2025

Durante décadas, o buffet de pequeno-almoço foi sinónimo de luxo e abundância no setor hoteleiro. Torres de panquecas, montanhas de pães, pratos de enchidos e frutas exóticas enchiam as mesas, transmitindo a ideia de fartura. Mas hoje, este modelo icónico começa a ser cada vez mais questionado.

Segundo o Relatório do Índice de Desperdício Alimentar 2024 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, foram desperdiçadas 1,05 mil milhões de toneladas de comida em todo o mundo, sendo que o setor da restauração representa 28% desse total. Os buffets de pequeno-almoço destacam-se como um dos principais responsáveis, gerando em média mais do dobro de desperdício comparado com refeições servidas em prato.

O impacto do desperdício

O excesso alimentar não é apenas uma questão de gestão. Significa também o desperdício de terra, água, energia e mão-de-obra. E quando a comida vai parar ao aterro, transforma-se em emissões de gases com efeito de estufa que prejudicam o planeta e a biodiversidade.

Além disso, estudos em comportamento do consumidor revelam que a variedade e a lógica do “já está pago” incentivam ao exagero, levando muitos hóspedes a servir-se em demasia e a deixar sobras no prato.

Hotéis reinventam o pequeno-almoço

Face a este cenário, várias cadeias internacionais começaram a implementar mudanças subtis mas eficazes:

  • Scandic Hotels (Norte da Europa): reduziu o tamanho de bolos e doces, permitindo repetições em vez de excesso inicial.
  • Ibis: aposta em pratos mais pequenos para limitar porções.
  • Hilton Frankfurt: introduziu doses individuais de iogurte e fruta.
  • Novotel Bangkok Sukhumvit: placas informativas junto ao buffet lembram os hóspedes a servir-se apenas do que vão consumir.

Estas medidas estão alinhadas com a nova definição de luxo no turismo: não é mais a quantidade que impressiona, mas sim a qualidade, o cuidado e a responsabilidade ambiental.

Do excesso à experiência personalizada

Para muitos viajantes, a sustentabilidade já não é um extra, mas um critério de escolha. Dados da Booking.com revelam que 84% dos turistas globais valorizam práticas sustentáveis na hotelaria. Assim, hotéis de luxo começam a substituir os buffets por:

  • Menus à la carte preparados por chefs;
  • Colaborações com produtores locais e artesanais;
  • Pequenos-almoços por etapas, com porções equilibradas e frescas;
  • Experiências complementares, como rituais de bem-estar antes da refeição.

O futuro do pequeno-almoço nos hotéis

A transição não é simples. Os hotéis procuram equilibrar a variedade que os clientes esperam com a necessidade de reduzir o desperdício. A aposta em soluções híbridas — pequenos buffets combinados com pratos à carta — pode ser a chave.

Como resume Jocelyn Doyle, da Sustainable Restaurant Association: Um pequeno-almoço servido de forma consciente pode não só reduzir o desperdício, como também elevar a experiência do hóspede. Afinal, é a última recordação que levam consigo antes do check-out.

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