Paulo Pires do Vale,
Luísa Schmidt e Sérgio Godinho na abertura da VERSÁTIL Leiria 2026 para
discutir o que nos une
De 3 a 8 de novembro,
a VERSÁTIL - Feira do Livro de Leiria, reúne mais de 40 escritores e artistas
para pensar «O Comum». Depois das tempestades que atingiram a região, a
terceira edição parte da experiência do território para discutir a importância
da cultura, da comunidade e dos espaços que partilhamos.
Paulo Pires do Vale e
Luísa Schmidtabrem a Versátil — Feira do Livro de Leiria, a 31 de outubro, às
16h30, na Biblioteca Villa Portela, numa sessão que dá início à reflexão
sobre o tema desta edição: «O Comum». No mesmo dia, Sérgio Godinho,
acompanhado por Júlio Resende, apresenta-se em concerto, às 18h00, na Black
Box. Pensamento, palavra e música marcam assim o arranque de um encontro
que propõe olhar para a cultura como parte da vida de uma comunidade e da sua capacidade
de se reerguer.
José Luís Peixoto,
Gonçalo M. Tavares, Isabela Figueiredo, Helena Roseta, Patrícia Portela e Hugo
Gonçalvessão outros dos nomes da programação, que decorre até 8 de novembro, com
o Mercado de Sant’Ana como ponto de encontro e atividades noutros
espaços culturais da cidade. Com curadoria de Isabel Lucas e Nuno Artur
Silva, a Versátil reúne escritores, artistas e pensadores para conversar
sobre livros e sobre as questões que atravessam o quotidiano: como habitamos o
território, como nos relacionamos com os outros e como cuidamos daquilo que
pertence a todos.
Uma edição que nasce
da experiência de uma comunidade
A escolha de «O Comum»
tem origem nas tempestades que atingiram Leiria. A experiência da perda, os
gestos de entreajuda e as dificuldades da reconstrução tornaram mais visíveis
as relações que sustentam uma comunidade. É dessa realidade que parte a
programação: da necessidade de escutar, compreender outras experiências e
encontrar formas de agir em conjunto.
Num ano em que a
resposta às necessidades básicas das populações e a recuperação do território
exigiram concentrar esforços e recursos, manter a Versátil significa também
preservar um lugar para o encontro e a participação. Reerguer Leiria também
passa pela cultura: pelas histórias que ajudam a compreender o que
aconteceu, pelas perguntas que permitem pensar o presente e pelos espaços onde
as pessoas voltam a reunir-se.
Esta ligação entre
território, cultura e vida coletiva atravessa toda a edição. A abertura com
Paulo Pires do Vale e Luísa Schmidt lança uma reflexão que continuará nos
encontros com escritores, na poesia, nos concertos, no cinema e nas atividades
com escolas. A proposta é aproximar perspetivas e gerações, estimular o
pensamento crítico e criar espaço para olhar o mundo a partir do lugar do
outro.
Dos livros às formas
de viver em conjunto
A 7 de novembro,Helena Roseta conversa com Isabel Lucas em «O Lugar de Todos»,
trazendo para o centro do programa a reflexão sobre o espaço comum. Nesse dia,
os livros dão também origem aos encontros entre José Luís Peixoto e Paulo
Moreiras e entre Filipa Martins e Teolinda Gersão. André Pereira
e Rui Zink participam em «Continuar a Rir», acrescentando o humor às
formas de observar e interrogar a realidade.
No dia 8, Patrícia
Portela e Anabela Mota Ribeiro encontram-se numa conversa a partir dos
livros, enquanto Isabela Figueiredo e Hugo Gonçalves partilham os seus
percursos de escrita e leitura. O olhar alarga-se também ao contexto
internacional: Gonçalo M. Tavares e José Gomes André participam em «A
América depois do voto», e Alexandre Vidal Porto e João Gabriel de Limadiscutem «O Brasil depois das eleições». São conversas que aproximam a
criação literária das questões da vida democrática e da forma como
compreendemos sociedades em mudança.
A poesia tem
igualmente lugar nesta reflexão, com Pedro Biscaia e Fernando Alves, a
partir de Dos Dias Frágeis, e um encontro que reúne Adélio Amaro,
Cristina Nobre, Trindade Pereira, Paulo José Costa e Fernando Brites, a 6
de novembro.
Aprender a ler o mundo
começa nos mais novos
A literatura infantil
e juvenil e os encontros com escolas são uma dimensão central da Versátil. Entre 3 e 6 de
novembro, Maria Inês Almeida, António Mota, Miriam Gonçalves, David Machado,
Elizabete Neves, Clara Cunha, Catarina Sobral e Nuno Bernardo encontram-se
com os jovens leitores.
Conhecer quem escreve
e ilustra, descobrir como nasce uma história e ganhar confiança para fazer
perguntas são experiências que o programa procura proporcionar. A formação de
leitores liga-se, assim, à capacidade de imaginar outras vidas, reconhecer
emoções e escutar perspetivas diferentes — aprendizagens que também fazem parte
de viver em comunidade.
A palavra encontra
outras artes
O diálogo entre a literatura
e outras linguagens acompanha a Versátil desde a sua criação, em 2024,
quando a tradicional Feira do Livro de Leiria ganhou um novo formato, alargando
a descoberta de livros e autores a debates, espetáculos e experiências de
participação.
Nesta edição, além do
concerto de abertura de Sérgio Godinho, o programa inclui a Orquestra Jazz
de Leiria com Christian McBride, a 7 de novembro, e «As palavras
escrevem-se com música», com Luísa Cruz, Nicolau Santos e Manuel
Lourenço, no dia 8. Marco Oliveira e José Peixotoapresentam-se nessa tarde no Palco Versátil.
A programação
estende-se ainda à apresentação do livro Coreografias: Ensaios sobre Dança e
Filosofia, de Né Barros, ao Festival Letra, ao cinema com Sophia,
ao cine-concerto Sakamoto, a Gerardo Rodrigues e ao espetáculo de
dança Over our Heads, da Companhia Marta Cerqueira.
Entre livros,
conversas e espetáculos, a Versátil propõe pensar o comum a partir de Leiria e
de uma experiência que diz respeito a todos: a importância de ter com quem
partilhar histórias, dúvidas e ideias sobre a vida em conjunto.
VERSÁTIL 2026 — O
Comum
31 de outubro a 8 de
novembro
Mercado de Sant’Ana e
outros espaços culturais de Leiria
Curadoria: Isabel Lucas e Nuno Artur Silva